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» Amizade…

Escrevamos, pois, nos areais da nossa vida, as faltas dos nossos amigos e, a tinta-da-china, no caderno da nossa existência, as suas virtudes.

A Amizade deve ser simétrica, para ser verdadeira. A Amizade tem uma direcção e dois sentidos exactamente opostos. A Amizade é animada por um movimento pendular e uniforme que alterna, com uma frequência constante, o sentido na mesma direcção. Não há Amizades verdadeiras que tenham várias direcções e múltiplos sentidos. Também não existem Amizades que tenham movimentos de sentido único ou que, colocadas numa balança, desequilibrem os respectivos pratos.

A Amizade conjuga-se sempre na primeira pessoa do plural: somos amigos. A conjugação na primeira pessoa do singular (sou amigo) revela injustiça do lado do outro; a conjugação na segunda ou na terceira pessoa do singular (és/é amigo) mostra-nos o nosso egoísmo; a conjugação na terceira pessoa do plural (são amigos) significa que estamos sós.

A Amizade deve regar-se com o Respeito e a Solidariedade e fertilizar-se com a crítica privada e construtiva. A Amizade seca com a ausência de relação humana e morre com a inveja.

A Amizade vale mais que todos os metais preciosos e que qualquer diamante. Não existe património mais valioso e é dos mais seguros investimentos que se pode realizar.

A Amizade não é uma algema ou um nó. A Amizade também não se verte em qualquer contrato nem se estabelece por imposição legal. Na Amizade não deve existir o Interesse nem o Lucro.

A Amizade é, por todas estas circunstâncias, uma raridade. As raridades devem conservar-se com toda a delicadeza e atenção. Particularmente, quando nessa raridade mais não é do que uma pessoa que partilha connosco exactamente aquilo que nós pensamos e sentimos.

Devemos conservar os nossos amigos, mesmo que, muitas vezes, tal seja, aparentemente, difícil. De facto, como Pitágoras nos disse um dia: escreve na areia as faltas de teu amigo.

Escrevamos, pois, nos areais da nossa vida, as faltas dos nossos amigos e, a tinta-da-china, no caderno da nossa existência, as suas virtudes.

14/01/2008

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