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» Verão alentejano

O Verão está chegando, calma e lentamente.

O Verão está chegando, calma e lentamente. Durante o dia, vai tomando conta da planície alentejana, abrigando-se nas baixas, contornando os troncos das azinheiras, espreitando nas ombreiras das portas dos montes e envolvendo os corpos como se fosse um leve bafo quente da natureza. À noite, o Verão ainda descansa das tarefas diurnas.

O campo alentejano ganha novas cores, novos odores e novos protagonistas. Os répteis espreitam cada raio solar e rastejam caminho, em direcção aos seus territórios; as cegonhas juvenis iniciam a escolaridade básica com os seus progenitores; as louras searas ondulantes nas leves e quentes brisas da tarde, outrora presentes na paisagem e nos trabalhos agrícolas, vão dando lugar ao pasto ou, aqui e ali, ao verde viçoso das vinhas; os morcegos dividem os céus nocturnos com as corujas; o céu alterna entre o azul celeste dos dias e o negro salpicado de prata das noites.

Nas aldeias e nas vilas, o dia ganha uma nova geografia social, consequência do movimento contínuo das sombras que protegem os reformados da dureza clara do sol; os almoços, uns dias por outros, são seguidos pelo leve dormitar da sesta; à noite, os portados das entradas nas casas servem de banco para as conversas que acontecem ao fresco, entre os vizinhos da mesma rua.

Aos fins-de-semana, nos adros das igrejas ou nos terreiros das feiras, os conjuntos tocam séries de músicas, enquanto as primeiras mulheres solteiras abrem o Baile. As mães, sentadas nas segundas filas, olham os rapazes que - de mini na mão, de pé e em grupo, na zona do Bar das Festas - olham para as raparigas.

Por fim, quando o Verão atravessar as paredes grossas das casas e se instalar, em definitivo, nas salas e nos quartos, é altura de adormecer sem que um simples lençol tape os corpos quentes que suplicam por uma leve e fresca brisa que só a noite pode oferecer.

Há cem anos já era assim.no Alentejo!

11/06/2007

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