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» Verão...

Nas casas, ainda se vai encontrando algum fresco. Isto, enquanto as paredes não aquecerem a sério.

As temperaturas subiram, nos últimos dias, para os valores normais para a época. De facto, os vinte e tal graus das últimas semanas deram lugar aos trintas, quase quarentas.

Nos campos, a fresquidão da madrugada dura cada vez menos tempo e não resiste aos primeiros minutos da acção da luz do Sol. Os cheiros vão-se diluindo na calma que tudo abafa. Os movimentos dos animais diminuem o ritmo e as sombras das árvores ou dos arbustos tornam-se espaços vitais. Nas vilas e nas aldeias, a rotina da sombra instala-se progressivamente, cada vez mais simétrica à rotina da soalheira, própria do Inverno.

Nas casas, ainda se vai encontrando algum fresco. Isto, enquanto as paredes não aquecerem a sério. Quando isso acontecer, as casas não arrefecerão durante a noite e a amplitude térmica tende a atenuar-se, não dando descanso aos corpos.

Era aqui que, antigamente, começava a época balnear do meio rural. Os pegos (nascentes) tornavam-se locais frequentados por todos. Alguns tinham, nos tanques das hortas, as suas piscinas pessoais ou comunitárias. Num lado ou no outro, as braçadas intercalavam o convívio que, frequentemente, incorporava umas comidas e umas bebidas.

À noite, finalmente, o fresco. Sentados nos portados de entrada das casas, nos bancos dos jardins ou nas pequenas cadeiras, homens e mulheres falam, riem, comentam as vidas uns dos outros, enquanto as crianças vão correndo de um lado para o outro, entretidas nas pequenas e simples brincadeiras que vieram de ontem e continuarão na noite seguinte. Grandes e pequenos vão deixando que a brisa nocturna os acaricie e, lentamente, os vá arrefecendo.

Quando o sono ataca decisivamente é a altura de reentrar nas casas, que estiveram com as portas e as janelas todas abertas para arejar. Deitados, numa cama, com um lençol por cima e outro por baixo, é hora de dormir. A não ser que algum mosquito entenda que é a hora do jantar…

30/06/2008

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