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» Escola pública e igualdade de oportunidades
Na passada quarta-feira, na minha qualidade de deputado, tive oportunidade de escutar, atentamente, dois reputados investigadores do ISCTE (João Sebastião e Pedro Abrantes), quando estes apresentavam, à Comissão Parlamentar de Educação e Ciência, os resultados de um estudo que desenvolveram em quatro escolas da zona de Lisboa. O estudo tinha, como objectivo, a verificação do papel das escolas na promoção da igualdade de oportunidades e, consequentemente, no combate às desigualdades que decorrem de diferentes circunstâncias económicas, sociais e culturais das famílias.
Os resultados da pesquisa foram esmagadores: a escola pública continua a ser, infelizmente, um local de reforço das desigualdades existentes em vez de ser, como todos desejávamos, um espaço de construção de igualdade de oportunidades.
Na realidade, o estudo demonstrava que, normalmente, as crianças oriundas de classes sociais mais favorecidas, não só frequentavam o pré-escolar, como, em consequência desse facto, mantinham as suas turmas originais intocáveis, ao longo de toda a escolaridade. Dessa forma, remetiam as crianças com percursos escolares menos lineares para escolas e turmas de grande instabilidade e com poucas probabilidades de terem os melhores professores e as melhores condições de aprendizagem.
Esta realidade é a negação do próprio conceito de escola pública, que assenta, exactamente, na crença de que todos os jovens deverão aprender na mesma escola, com os mesmos professores e com as mesmas probabilidades de sucesso. Ora isso não se verifica em muitas das escolas do nosso país.
Todos sabemos que o território, a origem social, a condição económica, a bagagem cultural, entre outros factores, são variáveis que determinam, quase sempre, o sucesso dos jovens.
Temos, pois, ainda muito trabalho pela frente, nas nossas escolas, tendo em vista a sua democratização e o seu papel de construção de uma sociedade mais igual, mais justa e mais solidária.
Muito se fez, desde o 25 de Abril. Mas muito ainda há por fazer. Não nos esqueçamos de que ainda existem, em Portugal, mais analfabetos do que licenciados . Isto diz quase tudo do que nos falta fazer na Educação.
01/02/2008 |